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Vazamento de cádmio contamina rios chineses

A morte de milhares de peixes e o pânico na busca por água engarrafa. Por enquanto, esse é o resultado do vazamento de cádmio que contaminou os rios Longjiang e Liujiang, na região de Guangxi, na China. Mas embora as autoridades afirmem que os reservatórios de água do território não foram contaminados, a população local está sendo orientada a não beber dos rios, e o governo busca fontes de hídricas alternativas.
Os níveis excessivos de cádmio – substância utilizada na fabricação de baterias de celulares e que pode causar câncer e problemas nos pulmões e rins – foram detectados pela primeira vez no dia 15 de janeiro no rio Longjiang, afluente do rio Liujiang. Neste dia, os níveis da substância chegavam a estar 80 vezes maiores do que o permitido.
Apesar de três tentativas de contenção, a poluição alcançou o rio Liujiang na última quinta-feira, e agora se encontra na região da hidrelétrica de Luodong. Embora os níveis de cádmio nas águas já tenham diminuído um pouco, ainda estão 25 vezes mais altos do que o limite oficial, afirmou a Xinhua, agência de notícias oficial do país.
Agora, a contaminação de cádmio ameaça a população de 3,2 milhões de habitantes da cidade de Liuzhou. O governo mobilizou milhares de policiais, soldados e bombeiros para ajudar a reprimir o avanço da poluição, além de ordenar o descarte de mais água de projetos hidrelétricos e o despejo de centenas de toneladas de neutralizantes para diluir o cádmio.
Ainda assim, as autoridades prometeram garantir água potável para a população. “Prometo aos cidadãos que não cortaremos a água. Quando eles ligarem a torneira, a água será segura para beber”, declarou Zhang Jian, porta-voz da cidade de Liuzhou, ao jornal The Guardian.
No entanto, o governo já começou a buscar fontes alternativas para assegurar o abastecimento de água da população. “Estamos confiantes e podemos garantir água potável segura para residentes da cidade de Liuzhou. Enquanto isso, descobriremos diversas fontes de água alternativas, incluindo água subterrânea”, comentou Chen Gang, secretário do comitê do partido de Liuzhou.
Mas mesmo com a promessa de água potável, os habitantes da região se precipitaram em adquirir água engarrafada para suas necessidades mais básicas. “A água engarrafada será usada para beber e cozinhar. Apenas usamos a água da torneira para banhos e limpeza”, explicou um morador de Liuzhou à Xinhua.
Ainda não há provas de quem foram os responsáveis pelo vazamento de cádmio nos rios, mas sete representantes de empresas de produtos químicos e mineradoras foram detidos pelo governo. Entre as firmas suspeitas, estão a Jinchengjiang Hongquan Lithopone Material e a Guangxi Jinhe Mining Co.
Esse não é o primeiro vazamento de produtos tóxicos que ocorre no país na última década. Em 2005, uma explosão em uma unidade da PetroChina Co. eliminou 100 toneladas de toxinas no rio Songhua, forçando as autoridades a cortar a água encanada de mais de três milhões de pessoas na cidade de Harbin.

Autor: Jéssica Lipinski   -   Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Agências Internacionais